A crise internacional, que vem atraindo olhares da mídia desde 2009 e parece renova forças em 2011, está mais ligada ao nordeste do que estamos percebendo. Este foi o discurso que abriu a palestra do Diretor de Gestão do Desenvolvimento do Banco do Nordeste, José Alencar. “O Nordeste tem muito a ver com a crise, visto que ela surge num momento de mudanças estratégicas para a Região”.
De acordo com Alencar, esta é a primeira vez que o Nordeste registra um aquecimento verdadeiro do mercado interno e aponta como fatores essenciais desta expansão o aumento do salário mínimo, da geração de empregos, dos grandes empreendimentos, além da expansão do crédito.
Alencar também falou da relação entre o BNB e o BNDES. “O BNDES foi fundamental ara o desenvolvimento do Sul e Sudeste nos últimos 50 anos. Por isso, nossa parceria é importante”, e cita como exemplo de parceria entre os bancos a instalação da Fábrica da Fiat, em Pernambuco. (a parceria e a segmentação dos investimentos dos dois bancos podem ser conferidos na última edição da Revista NORDESTE).
A economista, Tânia Bacelar, tem uma visão otimista do Nordeste em relação à crise internacional. Para ela, a pesar de um cenário geral de desaceleração na economia nacional, o Nordeste deverá manter um bom ritmo de crescimento a curto prazo, proporcionada pelo potencial do mercado interno da região. “Quem está sofrendo mais nessa crise é quem depende do mercado externo, e nós construímos uma dependência pelo nosso mercado interno”, afirmou.
Olhando para além da crise, a economista afirmou que “no fim da era da energia fóssil, o Brasil despontará como potência produtiva de petróleo”. Porém, numa leitura regional, o pré-sal e as indústrias de componentes que deverão beneficiar o petróleo do pré-sal, estão localizadas na região Sudeste. Tânia alerta que os atuais investimentos, como as refinarias de Pernambuco e Ceará, não são suficientes para sustentar o crescimento regional a longo prazo. “ três refinarias e dois estaleiros é muito pouco perto do potencial do pré-sal para os próximos anos”, comentou.
Tânia também defende investimentos para micro e pequenas empresas, e citou a Revista NORDESTE como empresa de grande potencial no cenário nacional e investimentos em educação aliados à geração de emprego e renda. Ela cita o exemplo do Japão, que estava destruído após a segunda guerra e conseguiu se reerguer com produção de ponta e investimentos em educação. Tânia encerrou sua palestra de forma enfática: “população analfabeta não faz isso!”
Da Redação
Revista NORDESTE