
No Piauí, seis juízes estão ameaçados de morte. Os magistrados recebem proteção especial a pedido do Tribunal de Justiça do Estado. Eles viraram alvos ao contrariar o interesse de uma das partes envolvidas em processos que julgaram.
A identidade de todos é mantida sob sigilo. As ameaças não são recentes. “Não é coisa de ontem ou de hoje, já tá com algum tempo. Esses juízes se sentiram ameaçados e procuraram o Tribunal. Imediatamente recorremos aos órgãos de segurança, exigindo segurança para esses profissionais”, esclarece o desembargador Edvaldo Moura, presidente do TJ do Piauí.
Na avaliação do presidente da Associação de Magistrados do Piauí (Amapi), José Airton Medeiros, os juízes piauienses vivem sob total vulnerabilidade. “Não tem proteção, não tem controle. Se você for no Fórum Criminal de Teresina, você consegue, sem dificuldade, bater na porta do juiz e botar a cara dentro da sala”, afirma.
O presidente da Amapi usa sua rotina para exemplificar a falta de segurança dos magistrados piauienses. José Airton responde atualmente pela Comarca de Paulistana (a 452 km de Teresina), município situado na divisa com o estado do Pernambuco. A região é conhecida como “polígono da maconha”, por ser rota do tráfico interestadual de entorpecentes.
“Aquela é uma das áreas mais perigosas da país, e eu trabalho o dia inteiro sem segurança dentro do Fórum. Lá em Paulistana eu e o promotor saímos do Fórum lá pras 22h sozinhos, só nós dois, sem nenhum tipo de segurança. É uma situação de vulnerabilidade absoluta”, diz.
Segundo o juiz, “não temos no Piauí muitos registros de denúncias, porque o Estado é bom, não existem organizações criminosas muito fortes ainda”.
Brasil
Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que 134 juízes vivem sob ameaça de morte em todo o Brasil. O balanço é resultado do encaminhamento, à corregedoria, de informações dos tribunais de justiça brasileiros.
Portal AZ